Dia da Imprensa: jornalistas falam sobre suas realidades de trabalho durante a pandemia do Covid-19

Durante a crise sanitária de uma nova doença, a demanda de trabalho dos profissionais da imprensa é redobrado

No dia 01 de junho, é comemorado  o “Dia da Imprensa”. Embora não seja considerado um trabalho essencial, a rotina dos profissionais da imprensa teve de se adaptar com a chegada da pandemia do Covid-19. Com dias cheios, conversando com as suas fontes sobre uma doença que mata milhares de pessoas diariamente, ouvindo histórias felizes e tristes, lendo noticiários, analisando e cruzando dados, eles informam a população sobre a evolução da patologia e as medidas de prevenção necessárias. Além disso, esses profissionais atuam no combate das notícias falsas sobre a doença, prezando sempre pela ética e transparência.

Para homenagear os profissionais que dedicam-se todos os dias na disseminação de notícias e na cobertura da rotina dos profissionais de saúde que estão na linha de frente desta batalha, a Cassems mostra a perspectiva deles sobre o atual momento pelo qual o mundo passa.

A pandemia tirou o ‘olho no olho’

Para a jornalista Paula Maciulevicius, a pandemia tirou uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento da pauta jornalística: o olho no olho. “O coronavírus nos deixou distantes de personagens e, ao mesmo tempo, a um clique de qualquer resposta. De repente, entraram em pauta depoimentos de pessoas que moram longe, onde a doença chegou primeiro, como também especialistas que ensinam desde lavar as mãos até desinfetar as roupas”.

Ela explica, também, que a pauta e a maneira de conduzir mudaram. “As redações trabalham em escala que antes eram só vistas em feriados, por exemplo. Hoje, tem uma equipe menor na rua, e muita gente em home office. Desde o final de março, minha casa virou redação. É do meu celular que trabalho, do escritório de casa que encontro pautas, entrevisto pessoas”.

De acordo com a jornalista, o principal desafio é ter controle da demanda que aumentou. “Precisamos dar conta do recado. Dar conta do que acontece na cidade, de ser presente sem necessariamente estar presente e em contar histórias reforçando, todos os dias, que as pessoas devem ficar em casa”.

Mãe de duas crianças, Paula salienta que tem medo do contágio da doença. “Sinto mais medo ainda pelos meus colegas que estão diretamente na linha de frente. Daqui de casa me sinto mais segura, só que é um privilégio que nem todo mundo tem. Meu receio é que o novo normal nunca chegue e meu medo é de que o coronavírus tome cada vez mais as manchetes dos jornais. O que a gente mais quer noticiar é o fim da pandemia”.

Combate às Fake News

A jornalista de televisão Elza Recaldes enfrenta, todos os dias, o desafio de entrevistar pessoas e gravar passagens pessoalmente. Para ela, houveram muitas adaptações na rotina de trabalho. “A TVE Cultura, em que eu trabalho, diferente de outros canais, sempre preparou pautas de variedades. No entanto, neste momento, sentimos que tínhamos que criar uma abordagem diferenciada”.

De acordo com a jornalista, a primeira preocupação da equipe foi com a propagação das “Fake News” sobre o Covid-19. “Antes, tínhamos o nosso programa com o jornalismo diário e, à partir de então, a gente sentiu a necessidade e o dever de informar a população de uma forma eficaz com informações de qualidade”.

Elza salienta que, maior que o medo da contaminação, era a sua vontade de informar a população. “Queremos levar notícias precisas e coesas para esclarecer dúvidas das pessoas, pois a rotina de todos mudou drasticamente. Com o coronavírus, os cidadãos evitam circular nas ruas para resolver as suas demandas nos órgãos e departamentos, então, criaram-se muitas demandas”.

 A segurança da equipe tornou-se prioridade, como apontado pela jornalista. “Inicialmente, criou-se um pânico, mas tínhamos essa obrigação de informar a população. Então, com as medidas de segurança, conseguimos trabalhar de maneira mais cuidadosa. Muitas coisas mudaram, como a postura, a abordagem das fontes e a entrada em alguns locais. Recebemos muitos depoimentos via celular e o uso das tecnologias ajuda neste processo”.

Elza destaca, ainda, a projeção positiva que o jornalismo sul-mato-grossense recebeu na cobertura da pandemia, já que o estado foi o de menor contágio da doença no país, que tornou-se epicentro do coronavírus. “O estado foi reconhecido nacionalmente em relação à algumas políticas adotadas durante a pandemia, e as equipes de jornalismo levaram as informações mais atuais, para que o Brasil conseguisse acompanhar de perto”.

Informações salvam vidas

De acordo com Marcelo Varela, jornalista de rádio, a pandemia trouxe novos desafios. “Sempre que há eventos que fogem da normalidade, torna-se passível de notícia. Falamos sobre uso de máscaras, higienização com álcool em gel, medidas de segurança, retorno ao trabalho e muitos outros assuntos”. 

O jornalista reitera que as informações são sempre direcionadas para a conscientização e prestação de serviços para a população. “O principal desafio é saber lidar com tantas informações e deixá-las objetivas e compreensivas para as pessoas. A preocupação sempre existe, principalmente por ter que retratar e redigir sobre uma ameaça em que podemos ser, também, vítimas”. 

Para Varela, o medo existe, mas o compromisso com o público em entregar notícias de qualidade é maior ainda neste período pelo qual o mundo passa. “A coragem para enfrentar a pandemia e trazer informações que podem salvar a vida das pessoas supera o sentimento de insegurança”.

Trabalhar em casa

Mariane Chianezi, jornalista de Site, ressalta a dificuldade em apurar as pautas de casa, já que para a produção de matérias são necessários áudios, imagens e vídeos dos acontecimentos. “O principal desafio é não ir para a rua. Devido a pandemia, estamos submetidos ao home office e ir para rua se tornou inviável no momento. O contato com a fonte tem sido apenas por telefone e não é a mesma coisa que conversar pessoalmente”.

A jornalista afirma, ainda, que a sua preocupação é com os próximos meses, em relação à curva de contágio da pandemia.  “A minha preocupação é como o cenário da pandemia ficará nos próximos meses, porque se a curva não achatar, poderemos permanecer sem ir para a redação”.

Sarah Santos
Ascom Cassems